Um contrato para motoboy e motofretista precisa ir além do contrato de prestação de serviços genérico: quem assume o risco se a encomenda chegar quebrada, quanto custa a corrida que não foi entregue por ausência do destinatário e qual a identificação exigida de quem está na moto. Sem essas cláusulas, o contrato fica mudo justamente nos pontos em que motoboy e cliente mais discordam depois do ocorrido.
O que o contrato de motoboy precisa ter além do contrato comum?
Quatro pontos próprios do motofrete que o contrato de prestação de serviços genérico não cobre:
- Identificação e colete: o uso de colete de segurança com faixas retrorrefletivas é exigência regulamentar do CONTRAN para quem exerce a atividade — vale deixar essa obrigação escrita no contrato, mesmo que já esteja na regulamentação de trânsito.
- Seguro pessoal: não há uma lei federal única que obrigue seguro de acidentes pessoais para o motofretista; quando existe exigência, costuma vir do município, junto com o alvará de motofrete. Confirme a regra da sua cidade e registre no contrato se o motoboy possui ou não o seguro.
- Responsabilidade pelo objeto: a Lei 12.009/2009 regulamenta o exercício da profissão, mas não entra no detalhe de quem paga se a mercadoria for avariada ou extraviada no caminho. Sem cláusula escrita, essa discussão vira palavra contra palavra.
- Declaração de valor: pedir que o cliente declare o valor do objeto a cada entrega é o que permite apurar, depois, quanto é devido em caso de perda — e protege o motoboy de cobrança acima do que a mercadoria realmente valia.
Modelo de cláusulas para contrato de motofrete
Acrescente estas cláusulas ao contrato de prestação de serviços, depois das de objeto, valor e prazo. Troque o que estiver entre colchetes.
CLÁUSULA [número] — DA IDENTIFICAÇÃO E DO COLETE DE SEGURANÇA
O(A) CONTRATADO(A) utilizará, durante toda a prestação do serviço,
colete de segurança com faixas retrorrefletivas, conforme exigência
regulamentar do CONTRAN, e manterá a motocicleta com documentação e
equipamentos de segurança em dia.
CLÁUSULA [número] — DO SEGURO PESSOAL
O(A) CONTRATADO(A) declara [possuir / não possuir] seguro de acidentes
pessoais compatível com a atividade de motofrete, podendo o(a)
CONTRATANTE solicitar comprovação quando exigido pelo município onde
o serviço é prestado.
CLÁUSULA [número] — DA RESPONSABILIDADE PELO OBJETO TRANSPORTADO
O(A) CONTRATADO(A) responde pela guarda e integridade do objeto
durante o transporte, devendo comunicar imediatamente qualquer
avaria, extravio ou atraso. O ressarcimento, quando devido, terá como
base o valor declarado na cláusula seguinte.
CLÁUSULA [número] — DA DECLARAÇÃO DE VALOR
O(A) CONTRATANTE declarará, a cada solicitação de entrega, o valor do
objeto transportado, informação que serve de referência para
eventual apuração de responsabilidade em caso de perda ou dano.
CLÁUSULA [número] — DA COBRANÇA POR ENTREGA
O valor de cada corrida considera a zona e a distância percorrida,
conforme tabela acordada entre as partes, acrescido de taxa de
retorno quando a entrega não for concluída por ausência do
destinatário e de adicional para carga frágil ou com valor declarado
acima de R$ [valor].Essas cláusulas não substituem o que a legislação de trânsito já exige sobre equipamentos de segurança; elas deixam escrito, entre as partes, quem é responsável pelo quê durante o transporte — o que mais ajuda quando a mercadoria chega com problema e ninguém quer assumir o prejuízo.
Como cobrar por entrega: zona, distância e taxas extras?
Não existe uma tabela legal de preços para motofrete — a cobrança por zona, distância, taxa de retorno e adicional por carga frágil é prática comercial do setor, não exigência de lei. Por isso, o que protege as duas partes é deixar essa estrutura escrita no orçamento e no contrato, antes da corrida.
| Item | Quando se aplica | Exemplo ilustrativo |
|---|---|---|
| Zona / distância | Valor base da corrida, por faixa de km | R$ [valor] até 5 km; R$ [valor] de 5 a 10 km |
| Taxa de retorno | Destinatário ausente ou entrega não concluída | R$ [valor] por tentativa |
| Carga frágil | Objeto que exige cuidado especial no transporte | Acréscimo de [percentual] sobre o valor da corrida |
| Valor declarado | Objeto acima de determinado valor | Acréscimo proporcional ao valor declarado |
Como são valores negociados e não tabelados por lei, escreva-os no orçamento antes de iniciar o serviço — pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 40), quem presta serviço a consumidor final precisa entregar orçamento prévio com valor, condições de pagamento e prazo, e o orçamento aprovado só muda por acordo entre as partes. Veja como montar esse documento em orçamento para motoboy e motofretista.
Motoboy pode ser MEI e quais os limites para deduzir despesas?
Sim, o motoboy independente pode se formalizar como MEI pelo CNAE 5320-2/02 (serviços de entrega rápida), o que permite emitir recibo e nota fiscal com CNPJ próprio em vez de depender só do CPF.
Quem presta o serviço como autônomo, sem MEI, e apura o Imposto de Renda pelo Carnê-Leão, precisa saber de uma restrição específica: despesas com transporte, combustível, manutenção do veículo e seguro não são dedutíveis no Livro Caixa — essa dedução só vale para o representante comercial autônomo, categoria diferente do motofretista. Isso não impede o motoboy de ter o contrato e o recibo em dia; apenas significa que essas despesas não reduzem o imposto devido pelo Carnê-Leão.
Para abrir o CNPJ e organizar os documentos básicos da atividade, veja como abrir MEI passo a passo. Depois de cada corrida ou fechamento mensal, formalize o pagamento com o recibo para motoboy e motofretista.
As cláusulas de motofrete já estão no gerador
Colete de segurança, responsabilidade pelo objeto, declaração de valor e cobrança por zona vêm preenchidos no formulário do topo: complete as partes, o valor e as datas e baixe o PDF grátis.
Perguntas frequentes
O motoboy precisa ter seguro de acidentes pessoais?
Não há uma lei federal única que obrigue esse seguro para o motofretista. A exigência, quando existe, costuma vir da prefeitura, junto com o alvará de motofrete. Confirme a regra do município onde a atividade é exercida e registre no contrato se o seguro existe.
Quem paga se a mercadoria for danificada ou extraviada no caminho?
A Lei 12.009/2009 regulamenta o exercício da profissão, mas não detalha a responsabilidade por avaria ou extravio. Por isso o contrato precisa prever expressamente quem responde, e a declaração do valor do objeto a cada entrega ajuda a apurar o ressarcimento quando ele for devido.
Motoboy pode ser MEI?
Pode. O CNAE 5320-2/02, de serviços de entrega rápida, está entre as ocupações permitidas no Microempreendedor Individual, o que permite ter CNPJ próprio e emitir recibo e nota fiscal nessa condição.
Posso cobrar taxa de retorno se o destinatário não estava para receber a entrega?
Não há lei que obrigue ou proíba essa cobrança; é prática comercial comum no motofrete. Para valer entre as partes, ela precisa estar escrita no orçamento antes da corrida, já que o Código de Defesa do Consumidor exige transparência nas condições do serviço desde o orçamento prévio.
O motoboy autônomo pode deduzir o combustível no Imposto de Renda?
Não, pela regra do Carnê-Leão. Despesas com transporte, combustível e manutenção de veículo não são dedutíveis no Livro Caixa, com exceção apenas para o representante comercial autônomo, categoria diferente da do motofretista.
Este conteúdo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico. Para contratos de valor alto ou com risco incomum, consulte um advogado.