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Cláusula de não concorrência é válida? Limites e modelo

Neste artigo

A cláusula de não concorrência é válida entre empresas e entre um freelancer ou MEI e o seu cliente, desde que seja limitada: por quanto tempo, em que lugar e em qual atividade. Sem esses três limites, ela esbarra na liberdade de exercer a profissão, garantida pela Constituição (art. 5º, XIII), e costuma ser derrubada. Se você recebeu um contrato com essa cláusula — ou quer incluí-la no seu —, veja o que a sustenta e o que a torna abusiva.

Em resumo A não concorrência proíbe atuar num mercado depois que o contrato acaba; a exclusividade proíbe durante. Não há lei específica para ela em contrato de serviço, e por isso vale o que os tribunais aceitam: prazo razoável (a referência é o art. 1.147 do Código Civil, de cinco anos, para a venda de um negócio), território e atividade definidos. Para o freelancer, a versão que mais se sustenta é a de não aliciamento: não atender diretamente os clientes que conheceu pelo contratante.

O que é cláusula de não concorrência?

É o compromisso de não atuar em concorrência com a outra parte por um período depois do fim do contrato. Ela protege algo que o contratante entregou a você durante o trabalho — a carteira de clientes, o método, a estratégia — de ser usado contra ele logo depois. Aparece em três situações comuns na vida do autônomo:

  • A agência subcontrata o freelancer para atender um cliente dela e não quer que ele feche direto com esse cliente depois.
  • O consultor conhece a operação inteira de uma empresa e ela quer evitar que ele leve o mesmo projeto ao concorrente.
  • O MEI vende a carteira ou o próprio negócio e o comprador quer garantia de que ele não vai reabrir ao lado.

Qual a diferença entre não concorrência e exclusividade?

O momento. A exclusividade vale enquanto o contrato está em vigor: você não pode atender concorrentes do cliente durante o trabalho. A não concorrência começa quando o contrato termina. São cláusulas diferentes, com riscos diferentes, e muita gente assina uma achando que é a outra.

ExclusividadeNão concorrênciaNão aliciamento
Quando valeDurante o contratoDepois do contratoDepois do contrato
O que proíbeAtender concorrentes do clienteAtuar no mesmo mercadoAtender diretamente os clientes do contratante
Peso para o freelancerMédio — limita a renda enquanto duraAlto — pode tirar seu ganha-pãoBaixo — você segue no mercado
Chance de ser mantidaAlta, se tiver escopo definidoDepende dos limitesAlta, se tiver prazo

A exclusividade tem artigo próprio: cláusula de exclusividade em contrato de prestação de serviços. Daqui em diante, o assunto é só o que vale depois do fim.

A cláusula de não concorrência é válida para freelancer e MEI?

É, se for limitada. Não existe um artigo de lei que regule a não concorrência em contrato de serviço, então ela vale pela liberdade de contratar (Código Civil, art. 421) — e desde a Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019), os contratos civis e empresariais presumem-se paritários, com intervenção judicial excepcional (art. 421-A). Do outro lado da balança estão a livre iniciativa (CF, art. 170) e o livre exercício de qualquer trabalho (CF, art. 5º, XIII).

É o equilíbrio entre os dois que decide. A jurisprudência do STJ aceita a cláusula entre empresas quando ela é limitada no tempo e no espaço, e o único parâmetro legal que existe vem do art. 1.147 do Código Civil: quem vende um estabelecimento não pode concorrer com o comprador por cinco anos. Uma cláusula que proíbe um designer de trabalhar com design, em qualquer lugar, para sempre, não sobrevive a esse teste.

Uma diferença importante: tudo isso vale para contrato civil ou empresarial. Se, na prática, a relação for de emprego, o jogo muda — a Justiça do Trabalho costuma exigir também uma compensação financeira durante o período de restrição. É mais um motivo para o seu contrato descrever entregas, e não jornada.

Quais limites tornam a cláusula válida?

Três, e a falta de qualquer um deles enfraquece a cláusula inteira:

  1. Prazo. Definido e curto o bastante para proteger sem sufocar. Para freelancer, 6 a 24 meses é o que costuma ser defendido; os cinco anos do art. 1.147 são o teto de referência, pensados para a venda de um negócio inteiro.
  2. Território ou público. A cidade, a região ou — mais útil para quem trabalha online — a lista dos clientes ou do segmento protegidos.
  3. Atividade. O serviço específico que fica restrito, não a profissão inteira. "Gestão de tráfego para clínicas odontológicas", não "marketing".

Uma compensação — um valor pago pelo período em que você fica restrito — não é exigida por lei no contrato civil, mas pesa muito a favor da cláusula se ela for questionada. Se o cliente quer uma restrição longa ou ampla, é razoável pedir que ele pague por ela.

Modelo de cláusula de não concorrência

Este modelo usa a forma de não aliciamento, que é a que mais se sustenta para o freelancer. Preencha os colchetes e, se precisar de uma restrição de mercado mais ampla, ajuste o parágrafo primeiro — mas mantenha os três limites.

CLÁUSULA [número] — DA NÃO CONCORRÊNCIA

Pelo prazo de [12] meses contados do término deste contrato, por
qualquer motivo, o(a) CONTRATADO(A) não prestará, diretamente ou por
interposta pessoa, serviços de [descrever a atividade restrita] aos
clientes do(a) CONTRATANTE que lhe foram apresentados em razão deste
contrato, listados no Anexo [número].

Parágrafo primeiro. A restrição não impede o(a) CONTRATADO(A) de
exercer sua atividade profissional com quaisquer outros clientes, nem
de atender clientes que já eram seus antes da assinatura deste
contrato.

Parágrafo segundo. [Opcional] Como compensação pela restrição, o(a)
CONTRATANTE pagará ao(à) CONTRATADO(A) o valor de R$ [valor], em
[forma de pagamento].

Parágrafo terceiro. O descumprimento desta cláusula sujeitará o(a)
CONTRATADO(A) ao pagamento de multa de R$ [valor], sem prejuízo da
indenização por perdas e danos que exceder esse valor, desde que
comprovada.

O Anexo com a lista de clientes é o que dá segurança aos dois lados: o contratante sabe exatamente quem está protegido, e você sabe exatamente quem não pode atender. "Os clientes do CONTRATANTE", sem lista, abre discussão sobre quem entra — inclusive clientes que ele conquistou depois que você saiu.

Sobre a multa: ela não pode passar do valor da obrigação principal (Código Civil, art. 412), e o juiz reduz a multa excessiva (art. 413). A frase sobre perdas e danos só vale porque está escrita — sem ela, a multa seria o teto da indenização (art. 416, parágrafo único).

O que acontece se a cláusula for abusiva?

Em geral, cai a cláusula, não o contrato. O art. 184 do Código Civil preserva a parte válida de um negócio quando a invalidade atinge só um trecho separável. Na prática, o juiz pode anular a restrição inteira ou reduzi-la ao que for razoável — e reduzir a multa, pelo art. 413.

Isso não quer dizer que vale a pena assinar qualquer coisa contando com a Justiça depois. Enquanto ninguém decide, a cláusula existe, e o cliente pode usá-la para te pressionar ou para cobrar a multa. Negocie antes: peça prazo menor, a lista de clientes no lugar de "todo o mercado", ou compensação pela restrição.

Sem cláusula, posso atender o cliente do meu antigo contratante?

Pode — mas não pode usar o que era sigiloso. Sem cláusula de não concorrência, você é livre para trabalhar com quem quiser depois que o contrato acaba, inclusive com clientes que conheceu por meio dele. O limite é outro: usar informação confidencial do antigo contratante (lista de preços, estratégia, dados de clientes) pode ser concorrência desleal, crime previsto no art. 195 da Lei 9.279/1996 — com ou sem cláusula.

É por isso que o sigilo e a não concorrência costumam andar juntos, mas não se confundem: o termo de confidencialidade protege a informação; a não concorrência protege o mercado. Para o freelancer, muitas vezes o NDA entre freelancer e cliente resolve a preocupação real do contratante sem restringir onde você pode trabalhar.

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Gerar o NDA

A cláusula de não concorrência entra dentro do contrato de prestação de serviços — monte o contrato no gerador de contrato e acrescente a cláusula no Word. O Kit MEI & Freelancer traz o contrato e o NDA em Word editável, junto com os outros seis documentos do site, por R$ 19,90.

Perguntas frequentes

Qual o prazo máximo de uma cláusula de não concorrência?

Não há prazo fixado em lei para contrato de serviço. A referência é o art. 1.147 do Código Civil, que proíbe o vendedor de um estabelecimento de concorrer com o comprador por cinco anos. Para freelancer, restrições de 6 a 24 meses são as que costumam ser consideradas razoáveis.

Cláusula de não concorrência sem prazo vale?

Dificilmente. Sem prazo, a restrição seria perpétua, o que atinge o livre exercício da profissão (CF, art. 5º, XIII). O mais provável é o juiz anular a cláusula ou limitá-la a um período razoável.

Posso ser multado por atender um ex-cliente do meu contratante?

Só se o contrato tiver cláusula de não concorrência ou de não aliciamento que cubra aquele cliente, e ainda dentro do prazo. Sem cláusula, você é livre para atendê-lo — desde que não use informação sigilosa do antigo contratante.

A cláusula precisa prever uma compensação em dinheiro?

No contrato civil ou empresarial, a lei não exige. Mas a compensação fortalece muito a cláusula se ela for questionada, e é razoável pedi-la quando a restrição é longa ou ampla. Em relação de emprego, a Justiça do Trabalho costuma exigi-la.

Não concorrência e confidencialidade são a mesma coisa?

Não. A confidencialidade proíbe revelar ou usar informações sigilosas; a não concorrência proíbe atuar num mercado ou com certos clientes. Um contrato pode ter as duas, e o NDA sozinho muitas vezes já resolve a preocupação do contratante.

Este conteúdo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico. Para casos específicos ou de maior valor, consulte um advogado de sua confiança.