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O que colocar num orçamento de serviço

Neste artigo

Um orçamento de serviço precisa ter, no mínimo: valor da mão de obra separado do valor de materiais, condições de pagamento, data de início e data de término do serviço. Essa é a exigência que está na lei — não é boa prática opcional, é obrigação de quem presta serviço a consumidor.

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Isso está no artigo 40 do Código de Defesa do Consumidor (CDC, Lei 8.078/1990). O texto diz que "o fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento prévio discriminando o valor da mão de obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos serviços". Abaixo você vê exatamente como aplicar isso na prática, com modelo pronto para copiar.

Os 4 itens que a lei exige

O CDC não dá margem para interpretação nesses quatro pontos. Se um deles faltar, o orçamento está incompleto do ponto de vista legal — mesmo que pareça bom comercialmente.

Item exigido O que significa na prática
Valor da mão de obra Quanto você cobra pelo seu trabalho, separado do resto
Valor de materiais e equipamentos Quanto custam as peças, insumos ou ferramentas usadas
Condições de pagamento À vista, parcelado, sinal + saldo, forma (Pix, boleto etc.)
Datas de início e término Quando o serviço começa e quando deve terminar

Repare que mão de obra e materiais aparecem separados. Não basta um valor único de "R$ 1.500 pelo serviço" — a lei pede a discriminação, ou seja, mostrar quanto é trabalho e quanto é material. Isso protege o cliente (ele sabe o que está pagando) e protege você (fica registrado que parte do valor é repasse de material, não lucro seu).

Exemplo resolvido

Pegue um caso concreto: instalação de um ar-condicionado split.

  • Mão de obra da instalação: R$ 300
  • Material (suporte, tubulação, cabos): R$ 250
  • Total: R$ 550
  • Condição de pagamento: 50% de sinal (R$ 275) para agendar a visita, saldo de R$ 275 na entrega
  • Início: 10/08/2026
  • Término previsto: 10/08/2026 (mesmo dia)

Um orçamento que só diz "instalação de ar-condicionado — R$ 550" está incompleto perante o CDC, mesmo estando correto no valor total. Falta discriminar mão de obra x material, condição de pagamento e datas. É esse detalhamento que evita discussão depois — principalmente se o cliente reclamar do preço final.

Validade do orçamento: 10 dias, salvo se você disser outro prazo

Pela lei, o valor orçado vale por 10 dias contados da data em que o cliente recebeu o orçamento — a menos que você estipule um prazo diferente por escrito.

Isso significa que, se você mandou um orçamento em 1º de agosto e não colocou nenhuma validade, o cliente pode aparecer no dia 10 e exigir o mesmo preço. Se seus custos de material sobem rápido ou você trabalha com fornecedor que reajusta toda semana, vale a pena escrever explicitamente "validade de 5 dias" ou "validade de 15 dias" — o que fizer sentido pro seu negócio. Sem essa frase, valem os 10 dias da lei.

Depois de aprovado, o orçamento vira compromisso

Aqui está o ponto que mais gera dor de cabeça: uma vez que o cliente aprova o orçamento, ele passa a obrigar as duas partes. Você não pode simplesmente subir o preço no meio do serviço porque "achou que ia dar mais trabalho". A lei é clara: só se altera por negociação entre as partes.

Na prática, isso quer dizer:

  • Se você aprovou R$ 550 pela instalação do ar-condicionado, não pode cobrar R$ 700 depois só porque a parede era mais dura de furar.
  • Se aparecer um imprevisto real (por exemplo, precisa de mais um metro de cano), o caminho correto é conversar com o cliente, explicar o motivo e fazer um aditivo — não simplesmente lançar o valor extra na cobrança final.
  • O cliente também fica preso ao valor aprovado: se ele mudar de ideia sobre o serviço, isso já é um novo pedido, não uma renegociação forçada do orçamento antigo.

Serviço de terceiro não previsto? O cliente não paga

Outro ponto direto da lei: o consumidor não responde por custos extras de serviços de terceiros que não estavam previstos no orçamento original. Se você, prestador, decidir subcontratar alguém e isso gerar custo adicional sem ter sido combinado antes, esse custo é seu — não pode ser repassado ao cliente sem acordo prévio.

Isso reforça por que vale a pena, no orçamento, já deixar claro se algum serviço vai depender de terceiros (por exemplo, um eletricista que vai precisar de um ajudante específico) e incluir esse custo desde o início.

Modelo de orçamento para copiar

Copie o modelo abaixo e preencha os campos entre colchetes.

ORÇAMENTO DE SERVIÇO

              Prestador: [seu nome ou razão social]
              CNPJ/CPF: [número]
              Contato: [telefone / e-mail]

              Cliente: [nome do cliente]
              Contato: [telefone / e-mail]

              Descrição do serviço: [o que será feito]

              Mão de obra: R$ [valor]
              Materiais/equipamentos: R$ [valor]
              Valor total: R$ [soma dos dois]

              Condições de pagamento: [à vista / parcelado / sinal + saldo — detalhar forma: Pix, boleto etc.]

              Data de início: [dd/mm/aaaa]
              Data prevista de término: [dd/mm/aaaa]

              Validade deste orçamento: [10 dias, salvo estipulação diferente / ou prazo definido por você]

              Observações: [garantia, itens não inclusos, condições especiais]

              Data: [dd/mm/aaaa]
              Assinatura do prestador: ____________________
              Assinatura do cliente (aprovação): ____________________
              

O campo de assinatura do cliente é importante: é o registro de que ele aprovou o orçamento naquele valor e naquelas condições. Guarde esse documento — é o que evidencia o acordo caso haja divergência depois.

Checklist antes de enviar o orçamento

  • Mão de obra e materiais estão separados, não somados num valor único?
  • As condições de pagamento estão escritas (forma, prazo, parcelas)?
  • A data de início está definida?
  • A data de término está definida (mesmo que seja uma previsão)?
  • O prazo de validade do orçamento está explícito, se for diferente de 10 dias?
  • Algum serviço de terceiro está previsto e com custo já incluído?
  • Há espaço para assinatura ou confirmação por escrito do cliente?

Erros comuns que geram prejuízo

Enviar orçamento sem prazo de validade. Sem isso escrito, valem os 10 dias da lei — e se seus custos sobem antes disso, o problema é seu.

Juntar mão de obra e material num valor só. Além de não atender à exigência legal, dificulta explicar depois por que o preço é aquele.

Mudar o valor depois de aprovado, sem conversar antes. Gera reclamação e pode ser contestado com base no próprio CDC — o orçamento aprovado obriga as duas partes.

Não registrar a aprovação do cliente. Um "combinado" verbal não segura discussão. Um orçamento assinado ou aprovado por escrito (mesmo por e-mail ou WhatsApp) sim.

Esquecer de prever custo de terceiros. Se um serviço vai depender de outro profissional ou fornecedor, isso precisa entrar no orçamento — senão o cliente não é obrigado a pagar essa diferença.

MEI, PJ ou freelancer: muda alguma coisa?

Não encontramos, na pesquisa para este artigo, um dispositivo específico voltado só para o MEI (Microempreendedor Individual) sobre o conteúdo obrigatório de orçamentos. O que existe é o artigo 40 do CDC, que vale de forma geral para qualquer prestador de serviço — seja MEI, PJ (pessoa jurídica) de outro porte ou freelancer sem CNPJ — sempre que o cliente for consumidor final.

Ou seja: o formato do orçamento (discriminação de mão de obra e material, prazo, condições de pagamento) é o mesmo independentemente do seu enquadramento tributário. O que muda é o que vem depois — como você emite nota, como declara o recebimento —, mas isso é assunto de outro artigo.

Depois do orçamento aprovado, vem o contrato

Orçamento aprovado é um bom começo, mas para serviços de maior valor ou mais longos, vale formalizar com um contrato de prestação de serviços, que detalha responsabilidades, prazos e o que acontece em caso de atraso ou cancelamento.

O DocsPronto ainda não tem um gerador específico para orçamento; enquanto isso, veja as ferramentas disponíveis em /ferramentas/ — incluindo o contrato de prestação de serviços e o recibo de pagamento, úteis para as etapas seguintes depois que o orçamento for aprovado.

Perguntas frequentes

Posso cobrar para fazer um orçamento?

A pesquisa para este artigo não localizou um trecho de lei que resolva isso de forma inequívoca. O mais comum no mercado é o orçamento ser gratuito, mas se você pretende cobrar por visita técnica ou levantamento, deixe isso combinado com o cliente antes de fazer o trabalho, para evitar mal-entendido.

O que acontece se eu não seguir a data de término prometida no orçamento?

A lei não estabelece uma penalidade automática específica para atraso no artigo 40, mas o atraso pode gerar direito de reclamação do cliente com base no CDC de forma mais ampla. Por isso, coloque uma data realista — se não tem certeza, escreva "previsão" em vez de prometer uma data fixa.

Posso mudar o valor do orçamento depois que o cliente aprovou?

Só por negociação entre as duas partes. Depois de aprovado, o orçamento obriga tanto você quanto o cliente, conforme o artigo 40 do CDC. Se surgir imprevisto real, converse antes de cobrar o valor extra.

O orçamento precisa ser assinado para valer?

A lei não exige uma assinatura formal específica, mas ter alguma confirmação por escrito do cliente (assinatura, e-mail, mensagem confirmando o valor) é o que prova que ele aprovou aquelas condições, caso haja divergência depois.

Qual a diferença entre orçamento e contrato?

O orçamento define valor, prazo e condições de pagamento de forma resumida. O contrato de prestação de serviços detalha isso e mais: obrigações de cada parte, o que acontece em caso de cancelamento, garantia, entre outros pontos. Para serviços simples e rápidos, o orçamento aprovado pode bastar; para serviços maiores, vale ter os dois.