Recibo de sinal (ou de entrada) é o comprovante que você entrega ao cliente quando recebe uma parte do pagamento antes de começar ou entregar o serviço. Ele prova que o dinheiro foi recebido, por qual motivo e quanto ainda falta pagar.
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Serve tanto para quem cobra sinal para reservar uma data (fotógrafo, buffet, prestador de serviço) quanto para quem recebe uma entrada como garantia antes de iniciar um trabalho maior (reforma, projeto, produção sob encomenda). Mais abaixo tem o modelo pronto para copiar e um exemplo preenchido.
Sinal ou entrada — qual a diferença
No dia a dia, muita gente usa os dois termos como sinônimo, e na prática o recibo é o mesmo. Mas vale entender a diferença de intenção por trás de cada palavra, porque isso ajuda a escolher o texto certo no documento.
| Termo | Ideia por trás | Uso comum |
|---|---|---|
| Sinal (também chamado de arras) | Garantia de que o negócio vai acontecer — tem peso de "compromisso firmado" | Reserva de data, encomenda, contrato assinado com valor pago na hora |
| Entrada | Simplesmente a primeira parcela de um pagamento dividido | Serviço parcelado em entrada + saldo, sem necessariamente ser uma garantia contratual |
| Pagamento integral | Valor total quitado de uma vez | Serviços de valor baixo ou entregues na hora |
O ponto de atenção: o sinal, em alguns entendimentos jurídicos, pode ter regras próprias sobre devolução se uma das partes desistir do negócio. Como isso pode variar conforme o caso e o que está combinado em contrato, o mais seguro é confirmar com um advogado ou consultar a legislação antes de decidir como tratar uma desistência — o recibo sozinho não resolve esse tipo de disputa, quem resolve é o que está escrito no contrato (ou combinado por escrito, mesmo que informalmente).
O que precisa ter no recibo de sinal/entrada
Um recibo de sinal incompleto não serve de prova. Para ser válido como comprovante, ele precisa ter:
- Nome (ou razão social) de quem recebe o pagamento
- Nome de quem está pagando
- Valor recebido, em número e por extenso
- Data do recebimento
- Descrição clara do que está sendo pago: serviço, produto ou reserva
- Informação de que é um valor parcial — e qual o valor total combinado
- Forma de pagamento (Pix, dinheiro, transferência etc.)
- Assinatura de quem recebeu
Sem o valor total e a menção de que é pagamento parcial, o recibo vira só um comprovante de "recebi X reais" — e não deixa claro que ainda falta receber o restante. Isso é o detalhe que mais gente esquece.
Modelo de recibo de sinal / entrada
Copie o modelo abaixo e preencha os campos entre colchetes.
RECIBO DE SINAL / ENTRADA
Valor recebido: R$ [valor em número] ([valor por extenso])
Recebi de [nome do pagador / CPF ou CNPJ], a quantia acima, referente a
sinal/entrada do serviço de [descrição do serviço ou produto], no valor
total de R$ [valor total combinado].
Forma de pagamento: [Pix / dinheiro / transferência / cartão]
Valor restante a pagar: R$ [valor total - valor do sinal], com
vencimento em [data ou condição combinada].
Local e data: [cidade], [dia] de [mês] de [ano]
_____________________________________
[Nome de quem recebeu o pagamento]
[CPF ou CNPJ]
Como preencher — exemplo resolvido
Uma freelancer de decoração fecha um serviço de R$ 2.000 e cobra 30% de sinal para reservar a data, com o restante pago na entrega.
- Valor recebido: R$ 600,00 (seiscentos reais)
- Recebi de: Marcos Andrade Ferreira, referente a sinal do serviço de decoração de festa, no valor total de R$ 2.000,00
- Forma de pagamento: Pix
- Valor restante a pagar: R$ 1.400,00, com vencimento no dia da entrega do serviço
- Local e data: São Paulo, 5 de agosto de 2026
Repare que o recibo deixa claro três números: o que foi pago agora, o total combinado e o que ainda falta. É essa combinação que evita mal-entendido depois — sem ela, o cliente pode alegar que já pagou tudo, ou você pode esquecer quanto ainda tem para receber.
Não existe um percentual padrão obrigatório para o sinal — o valor é o que for combinado entre as partes. O comum no mercado varia bastante conforme o tipo de serviço, então negocie o que faz sentido para o seu caso e registre por escrito, seja no recibo, seja num contrato.
Casos de borda
Se o cliente desistir depois de pagar o sinal
O recibo, sozinho, não define se o sinal é devolvido ou não em caso de desistência. Isso depende do que foi combinado — de preferência por escrito, num contrato ou pelo menos numa troca de mensagem clara. Se você trabalha com sinal com frequência, vale ter um contrato de prestação de serviços que já preveja essa regra, em vez de deixar só no recibo.
Se você (prestador) precisar cancelar
O mesmo raciocínio vale ao contrário: se quem cancela é o prestador, o combinado sobre devolução também deveria estar escrito antes, não decidido depois do fato. Evita discussão e, se precisar, dá mais segurança para ambos os lados numa eventual conversa formal.
MEI x freelancer sem CNPJ
Tanto MEI quanto freelancer sem CNPJ podem emitir recibo de sinal — o documento não exige CNPJ para ser válido como comprovante, o CPF de quem recebe já serve. A diferença prática é que MEI costuma ter obrigação de nota fiscal dependendo do tipo de cliente e serviço; o recibo de sinal não substitui isso, ele só comprova o pagamento parcial. Se sua atividade exige nota fiscal, confirme essa obrigação com um contador antes de assumir que o recibo é suficiente.
Serviço de valor alto
Quanto maior o valor do serviço, mais importa ter contrato junto do recibo, não só o recibo isolado. O recibo prova que o dinheiro entrou; o contrato define o que acontece se o negócio não for para frente. Para serviços de valor baixo, o recibo bem preenchido costuma ser suficiente.
Erros comuns ao emitir recibo de sinal
- Não citar o valor total combinado. Sem isso, o recibo não prova que é um pagamento parcial — parece pagamento único.
- Deixar a data em branco. Sem data, fica difícil provar quando o sinal foi pago, o que atrapalha se houver dúvida sobre prazos depois.
- Combinar a regra de devolução só verbalmente. Se não está escrito em algum lugar (recibo, contrato ou mensagem), vira palavra contra palavra.
- Emitir o recibo em nome errado. Se o pagamento veio de uma empresa (PJ), o recibo deveria estar no nome da empresa, não da pessoa que fez a transferência.
- Não guardar uma cópia. Vale manter o recibo salvo (foto ou PDF) mesmo depois de entregue ao cliente.
Onde gerar o recibo pronto
Se você já entendeu o que precisa constar no recibo, dá para preencher o modelo acima na mão mesmo. Mas se prefere um documento já formatado, o gerador de recibo de pagamento do DocsPronto monta o PDF pronto — grátis, com um selo discreto no rodapé, sem cadastro. Quem quer o Word editável e o PDF sem selo paga uma vez, via Pix.
Para serviços que envolvem sinal com regras de cancelamento mais específicas, vale também considerar um contrato de prestação de serviços, que deixa por escrito o que acontece se uma das partes desistir. Veja todos os modelos disponíveis em /ferramentas/.
Perguntas frequentes
Sinal e entrada são a mesma coisa juridicamente?
Na prática do dia a dia, o recibo é o mesmo documento. A diferença está mais na intenção — sinal costuma ter peso de garantia contratual, entrada costuma ser só a primeira parcela. Se isso for relevante para o seu caso (por exemplo, em uma disputa sobre devolução), confirme com um advogado como cada termo é tratado na sua situação.
O sinal é sempre devolvido se o cliente desistir?
Não existe uma resposta única — depende do que foi combinado entre as partes, de preferência por escrito. Não assuma nenhuma regra automática sem confirmar no contrato ou com um profissional.
Preciso de CNPJ para emitir recibo de sinal?
Não. O recibo pode ser emitido com CPF. CNPJ e nota fiscal são obrigações separadas, que dependem do seu tipo de atividade — confirme com um contador se sua situação exige nota fiscal além do recibo.
Posso cobrar sinal em dinheiro sem passar recibo?
Pode receber assim, mas sem recibo não há comprovante do pagamento. Em caso de dúvida ou disputa depois, é a sua palavra contra a do cliente. Sempre vale emitir o recibo, mesmo em pagamentos em espécie.
Quanto de sinal é razoável cobrar?
Não há um valor fixo definido por lei — é o que for combinado entre prestador e cliente. O importante é deixar esse valor (e o total do serviço) registrado por escrito, seja no recibo, seja em contrato.