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Prescrição de dívida: até quando posso cobrar um cliente que não pagou?

Neste artigo

O prazo para cobrar depende do tipo de dívida. Se o serviço foi registrado em contrato, nota ou recibo, o prazo geral é de 5 anos (art. 206, §5º, I, do Código Civil). Se você é profissional liberal cobrando honorários, também são 5 anos, contados da conclusão do serviço (art. 206, §5º, II). Se o caso é de indenização por dano ou falha na prestação, o prazo cai para 3 anos (art. 206, §3º, V). E quando nenhuma dessas regras específicas se aplica, vale a regra geral de 10 anos (art. 205).

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Prescrição, em resumo, é o prazo que a lei dá para você exigir judicialmente uma dívida. Passado esse prazo, o devedor pode alegar prescrição e a cobrança judicial deixa de ter efeito — mesmo que a dívida continue existindo de fato.

Abaixo está a tabela com os prazos, seguida de exemplos calculados para você situar o seu caso.

Prazos de prescrição por tipo de dívida

Tipo de dívida Prazo Base legal Quando começa a contar
Dívida líquida com contrato, nota ou recibo 5 anos Art. 206, §5º, I, CC Costuma-se contar a partir do vencimento da obrigação, mas o marco pode variar conforme o caso — confirme o entendimento aplicável antes de decidir
Honorários de profissional liberal (autônomo, prestador de serviço) 5 anos Art. 206, §5º, II, CC Da conclusão do serviço ou do fim do contrato
Reparação civil (indenização por dano, falha na prestação) 3 anos Art. 206, §3º, V, CC Do dano ou do conhecimento dele
Casos não previstos em prazo específico 10 anos Art. 205, CC Depende do caso

Repare que "dívida com instrumento" e "honorários de profissional liberal" têm o mesmo prazo (5 anos), mas se aplicam a situações diferentes: a primeira depende de haver um documento (contrato, nota fiscal, recibo) provando o valor; a segunda vale mesmo sem documento, para quem presta serviço de forma liberal, como consultor, designer ou professor.

Exemplo 1 — Serviço com contrato assinado

Uma freelancer fez um projeto de identidade visual para um cliente, com contrato assinado prevendo pagamento em 10/03/2021. O cliente nunca pagou.

Como há contrato com valor líquido (valor certo e determinado), o prazo de prescrição é de 5 anos (art. 206, §5º, I). Considerando o vencimento como marco de referência (10/03/2021), a dívida já estaria perto de prescrever em 2026 — mas o marco inicial exato pode variar conforme o caso, então vale confirmar antes de decidir não cobrar mais. Na dúvida, o mais seguro é agir logo: notificar o cliente por escrito e, se necessário, buscar orientação jurídica antes de considerar a dívida perdida.

Exemplo 2 — Honorários sem contrato formal

Um consultor de marketing prestou serviço avulso, cobrado por e-mail, sem contrato assinado. O serviço terminou em 15/06/2022 e o cliente não pagou.

Por se tratar de honorários de profissional liberal, o prazo também é de 5 anos, mas contado da conclusão do serviço (art. 206, §5º, II) — não do vencimento de uma fatura. Nesse caso, a data de referência é 15/06/2022.

Exemplo 3 — Cliente alega que o serviço foi mal feito

Um desenvolvedor entregou um site com falhas graves, o cliente reclamou formalmente e quer indenização, não apenas o não pagamento do serviço.

Aqui muda o enquadramento: não é mais cobrança de valor devido, é pedido de reparação por dano. O prazo cai para 3 anos (art. 206, §3º, V) — bem mais curto que os 5 anos de uma cobrança comum. Se o cliente demorar para reclamar, o prazo dele para pedir indenização pode já ter passado.

O que interrompe a contagem do prazo

Alguns atos podem interromper ou suspender a contagem da prescrição — por exemplo, o devedor reconhecer a dívida por escrito, ou o credor iniciar uma cobrança formal (notificação, ação judicial). As regras exatas de quando isso ocorre e o efeito prático em cada caso podem variar. Se a dívida está perto do limite e você não sabe se algum desses eventos já aconteceu no seu caso, confirme com um advogado antes de decidir que ainda dá tempo — ou que não dá mais.

O que NÃO fazer

  • Não presuma que "sem contrato, não prescreve nunca". Mesmo sem documento, existe prazo — no caso de profissional liberal, os mesmos 5 anos contados da conclusão do serviço.
  • Não confunda prazo de cobrança com prazo de execução de nota promissória ou cheque. Esses têm regras próprias, diferentes da cobrança comum de serviço.
  • Não espere o prazo "quase vencer" para agir. Reunir provas (contrato, troca de mensagens, comprovante de entrega) fica mais difícil com o tempo, mesmo dentro do prazo legal.
  • Não decida sozinho que a dívida "já prescreveu" sem confirmar o marco inicial correto. Como mostrado no Exemplo 1, esse marco pode variar conforme o caso — um cálculo errado pode fazer você desistir de uma cobrança que ainda é válida, ou vice-versa.

Como isso muda se você é MEI

Para o MEI, a lógica de prazo é a mesma — o que muda é a facilidade de provar a dívida. Um MEI que emite nota fiscal ou recibo formal tem prova mais sólida do valor e da data do serviço, o que facilita tanto a cobrança quanto o cálculo do prazo. Quem trabalha só por combinado verbal ou troca de mensagem depende de provas mais frágeis para sustentar a cobrança, mesmo estando dentro do prazo.

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Perguntas frequentes

Meu cliente reconheceu a dívida por WhatsApp, isso conta para alguma coisa?

Pode ser usado como prova de que a dívida existe e, dependendo do caso, também pode ter efeito sobre a contagem do prazo. Guarde a conversa e, se a dívida for relevante, confirme com um advogado o efeito exato desse reconhecimento no seu caso.

Se eu mandar uma notificação de cobrança, isso "reseta" o prazo?

Certos atos de cobrança podem interromper a contagem, mas as regras de quando e como isso acontece podem variar. Não trate isso como garantia automática sem confirmar a situação específica.

Depois que a dívida prescreve, ela deixa de existir?

Não necessariamente — a dívida pode continuar existindo de fato, mas o credor perde a possibilidade de exigi-la judicialmente se o devedor alegar a prescrição no processo.

Prescrição é a mesma coisa que "protesto" ou "negativação" do devedor?

Não. Prescrição é o prazo para cobrar judicialmente. Protesto e negativação são mecanismos diferentes, com regras próprias, que não são tratados neste artigo.

Recibo simples serve como prova para efeito de prazo de 5 anos?

Um recibo com valor certo é um dos documentos que caracterizam dívida líquida com instrumento, o que pode enquadrar o caso no prazo de 5 anos do art. 206, §5º, I. Mas o enquadramento exato depende dos detalhes do caso — vale confirmar se há dúvida.