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Prazo de validade do orçamento: por quanto tempo ele vale?

Neste artigo

Um orçamento vale 10 dias corridos, contados a partir do momento em que o cliente recebe, salvo se você escrever um prazo diferente no próprio documento. Essa regra está no artigo 40 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a Lei 8.078/1990.

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Ou seja: se você não colocar nenhuma data de validade no orçamento, a lei já define uma para você — 10 dias. Depois disso, o valor pode ser recalculado sem aviso prévio, porque tecnicamente o orçamento "venceu".

O que diz a lei sobre validade de orçamento

O artigo 40 do CDC trata da relação entre quem presta serviço e o consumidor. Ele exige que o orçamento seja entregue por escrito, discriminando:

  • valor da mão de obra;
  • materiais e equipamentos usados;
  • condições de pagamento;
  • data de início e término do serviço.

Sobre o prazo, o texto da lei é direto:

"Salvo estipulação em contrário, o valor orçado terá validade pelo prazo de dez dias, contado de seu recebimento pelo consumidor."

Isso significa duas coisas na prática:

  1. 10 dias é o padrão legal, não uma sugestão de mercado.
  2. Você pode mudar esse prazo, desde que escreva um prazo diferente no orçamento — 5 dias, 15 dias, 30 dias, o que fizer sentido para o seu tipo de serviço.

Fonte: Código de Defesa do Consumidor, art. 40.

Exemplo resolvido: o orçamento venceu, e agora?

Você envia um orçamento de R$ 2.000 para um serviço de instalação elétrica no dia 1º de agosto. Não escreveu prazo de validade no documento. O cliente só responde aprovando no dia 13 de agosto — 12 dias depois.

Nesse caso, o prazo legal de 10 dias já passou. Você não é obrigado a manter o valor de R$ 2.000. Pode reenviar um orçamento atualizado, com preço revisado (por exemplo, se o custo de material subiu nesse intervalo).

Se, em vez disso, o cliente tivesse aprovado no dia 8 de agosto — dentro dos 10 dias — o valor de R$ 2.000 estaria travado. Você seria obrigado a cumprir aquele preço, mesmo que o custo do material tivesse subido nesse meio-tempo.

O que acontece quando o cliente aprova dentro do prazo

Aprovação dentro do prazo de validade tem efeito jurídico: o orçamento passa a obrigar as duas partes. A lei diz:

"Uma vez aprovado pelo consumidor, o orçamento obriga os contraentes e somente pode ser alterado mediante livre negociação das partes."

Na prática, isso quer dizer que depois de aprovado:

  • você não pode subir o preço sem o cliente concordar;
  • o cliente não pode exigir mudanças no escopo sem renegociar o valor;
  • qualquer alteração — de prazo, material, forma de pagamento — precisa ser combinada de novo, por escrito, de preferência.

Quem paga por serviço de terceiro não previsto

Outro ponto do mesmo artigo protege quem contrata: se durante o serviço você precisar subcontratar um terceiro para uma etapa que não estava no orçamento aprovado, o cliente não é obrigado a pagar por isso.

"O consumidor não responde por quaisquer ônus ou acréscimos decorrentes da contratação de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio."

Isso significa que, se você precisar chamar um eletricista parceiro para resolver algo fora do escopo original, o custo extra é seu — a menos que negocie e formalize esse acréscimo com o cliente antes.

O que muda se o cliente for empresa (B2B)

O artigo 40 do CDC foi escrito para proteger o consumidor — normalmente pessoa física contratando um serviço para uso próprio. Quando o MEI ou freelancer presta serviço para outra empresa (relação B2B), a aplicação direta dessa regra de 10 dias não é garantida da mesma forma, porque a empresa contratante pode não se enquadrar como consumidora final na relação.

Na dúvida, o caminho mais seguro é não depender da lei para definir o prazo: escreva a validade diretamente no orçamento, independente de quem for o cliente. Isso evita discussão sobre se a regra do CDC se aplica ou não ao seu caso.

Como escrever o prazo de validade no seu orçamento

Não existe fórmula obrigatória, mas uma frase simples resolve:

Este orçamento tem validade de [10] dias corridos, a contar da data de emissão
              ([dd/mm/aaaa]). Após esse prazo, os valores podem ser revisados.
              

Coloque essa frase logo abaixo do valor total, em destaque. Assim, tanto você quanto o cliente sabem exatamente até quando aquele preço está garantido — sem depender de interpretação da lei.

Erros comuns ao lidar com prazo de orçamento

Não escrever prazo nenhum. Parece neutro, mas na prática ativa a regra padrão de 10 dias do CDC — que pode ser curta demais para serviços com material de preço variável (madeira, metal, dólar).

Manter o preço "por educação" mesmo com o prazo vencido. Se o cliente demorou para aprovar e o custo do seu insumo subiu, você tem direito de reajustar. Segurar o preço antigo é prejuízo seu, não obrigação legal.

Aceitar mudança de escopo sem reajustar o valor. Orçamento aprovado só pode mudar por negociação das duas partes — se o cliente pedir mais serviço no meio do caminho, isso é negociação nova, não continuação do orçamento original.

Confundir orçamento com contrato. O orçamento define preço e escopo antes do serviço começar. O contrato de prestação de serviços formaliza a relação depois que o orçamento é aprovado, com cláusulas de pagamento, prazo de execução e responsabilidades. São documentos diferentes, e vale ter os dois.

Depois que o orçamento é aprovado

Uma vez que o cliente aprovou o valor e o prazo, o próximo passo é formalizar o serviço com um contrato — principalmente se o valor for alto ou o prazo de execução for longo. Isso protege as duas partes caso algo saia do combinado.

O DocsPronto tem hoje dois geradores prontos para essa etapa:

  • Contrato de prestação de serviços — formaliza o que foi orçado, com escopo, prazo e forma de pagamento. PDF grátis com selo, ou Word editável e PDF sem selo por R$ 9,90 via Pix.
  • Recibo de pagamento — para dar baixa quando o cliente pagar, à vista ou parcelado. R$ 5,90 via Pix.

Não temos ainda um gerador específico de orçamento — se você usa esse tipo de documento com frequência, veja as ferramentas disponíveis para o que já existe hoje.

Perguntas frequentes

Orçamento verbal também tem prazo de validade?

A lei fala em orçamento entregue por escrito, discriminando valores e condições. Um combinado verbal é mais difícil de provar e de cobrar depois — por isso vale sempre colocar o orçamento no papel ou por mensagem, mesmo que informal.

Posso cobrar mais caro se o cliente demorar para aprovar?

Sim, se o prazo de validade já passou — seja o prazo de 10 dias da lei, seja um prazo diferente que você tenha escrito no documento. Depois de vencido, o valor pode ser revisado.

O que acontece se eu não escrever prazo de validade no orçamento?

Vale o prazo padrão de 10 dias corridos a partir do recebimento pelo consumidor, conforme o artigo 40 do CDC.

Depois que o cliente aprova o orçamento, ele pode pedir desconto depois?

Não sem negociar de novo. Orçamento aprovado obriga as duas partes pelo valor combinado — mudanças só valem se ambos concordarem.

Orçamento aprovado tem a mesma força de um contrato?

Não exatamente. O orçamento aprovado já obriga as partes quanto ao valor e ao escopo descritos, mas um contrato de prestação de serviços detalha mais cláusulas — prazo de execução, penalidades, forma de pagamento — e serve como documento mais completo para casos de valor alto ou serviço longo.