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Contrato para serviço avulso ou trabalho único: como fazer

Neste artigo

Um contrato para serviço avulso é o documento que formaliza um trabalho pontual — feito uma única vez, sem previsão de continuidade — entre quem presta o serviço (autônomo ou MEI) e quem contrata. Ele existe para deixar claro o que foi combinado: o que será entregue, quanto custa, quando é pago e o que acontece se algo der errado.

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Você não precisa de um advogado para fazer esse contrato, mas precisa de um documento por escrito. Um acordo verbal também vale legalmente, só que é muito mais difícil provar o que foi combinado se houver desentendimento. Mais abaixo tem um modelo pronto para copiar.

O que diz a lei sobre esse tipo de contrato

No Brasil, a prestação de serviço feita por quem não tem vínculo de emprego (autônomo, freelancer, MEI) é regida pelo Código Civil, nos artigos 593 a 609. A própria lei define isso: "A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, reger-se-á pelas disposições deste Capítulo" (art. 593).

Ou seja: se você é autônomo e faz um trabalho avulso para alguém, sem ser empregado dessa pessoa ou empresa, é esse capítulo do Código Civil que se aplica — não a CLT.

Isso tem um efeito prático importante: a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) incluiu o art. 442-B na CLT, dizendo que a contratação formal de um autônomo — mesmo que seja contínua ou exclusiva — não gera vínculo de emprego. Na prática, isso significa que ter um contrato escrito, bem feito, é uma proteção para as duas partes: para quem presta o serviço, prova que agiu como prestador independente; para quem contrata, evita que o serviço avulso seja confundido com uma relação de emprego disfarçada.

Vale uma observação sobre o termo "avulso": na linguagem popular, ele costuma significar um trabalho pontual, feito uma vez só. Juridicamente, porém, existe também um sentido técnico mais restrito para certas categorias trabalhistas, ligado à intermediação sindical em algumas atividades. Não é esse o sentido usado neste artigo — aqui tratamos do trabalho avulso no sentido comum: um serviço único, prestado por autônomo ou MEI, sem vínculo de emprego.

Quando termina esse tipo de contrato

O art. 607 do Código Civil lista as situações em que a prestação de serviço se encerra:

  • morte de qualquer uma das partes;
  • fim do prazo combinado;
  • conclusão da obra ou serviço;
  • rescisão mediante aviso prévio;
  • inadimplemento (uma das partes não cumpriu o que prometeu);
  • impossibilidade de continuar por força maior.

Para um trabalho avulso, a hipótese mais comum é simplesmente a conclusão do serviço: você entrega o que foi combinado, recebe o pagamento, e o contrato se encerra ali — sem necessidade de aviso prévio, porque não há continuidade a interromper.

Serviço avulso x contrato continuado: o que muda no documento

Serviço avulso (trabalho único) Contrato continuado
Duração Um evento, uma entrega Múltiplas entregas ao longo do tempo
Cláusula de prazo Data de entrega única Vigência com data de início e fim (ou renovação)
Rescisão Geralmente resolve com a entrega Precisa de cláusula de aviso prévio (art. 607)
Pagamento Normalmente à vista ou em parcelas fixas Pode ser mensal, recorrente
Risco de vínculo de emprego Menor, mas ainda existe se houver subordinação Maior atenção a exclusividade e horário fixo

O que muda na prática, ao redigir o contrato, é que você não precisa de cláusulas sobre renovação, reajuste periódico ou aviso prévio de encerramento — o serviço termina quando é entregue. Isso simplifica bastante o documento.

Modelo de contrato para serviço avulso (copie e adapte)

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO AVULSO

              CONTRATANTE: [nome completo ou razão social], [CPF ou CNPJ], residente/sediado em [endereço completo].

              CONTRATADO(A): [nome completo], [CPF ou CNPJ, se MEI], residente em [endereço completo].

              1. OBJETO
              O(A) CONTRATADO(A) prestará ao CONTRATANTE o seguinte serviço, de forma pontual e sem caráter continuado: [descrição detalhada do serviço — o que será feito, entregue ou executado].

              2. PRAZO DE EXECUÇÃO
              O serviço deverá ser concluído e entregue até o dia [data], considerando como concluído quando [defina o critério de entrega: ex. "o arquivo final for enviado por e-mail" ou "a peça for entregue no endereço acima"].

              3. VALOR E FORMA DE PAGAMENTO
              O valor total pelo serviço é de R$ [valor], a ser pago da seguinte forma: [ex.: "50% (R$ X) como sinal na assinatura deste contrato e 50% (R$ X) na entrega do serviço", ou "pagamento único em até X dias após a entrega"], via [Pix/transferência/outro], para a chave [chave Pix ou dados bancários].

              4. AUSÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO
              As partes reconhecem que este contrato não gera vínculo de emprego, subordinação, horário fixo ou exclusividade, tratando-se de prestação de serviço autônomo nos termos dos arts. 593 a 609 do Código Civil.

              5. RESPONSABILIDADE POR MATERIAIS E CUSTOS
              [Defina quem paga por materiais, deslocamento ou ferramentas necessárias à execução do serviço, se aplicável.]

              6. CANCELAMENTO
              Caso o serviço ainda não tenha sido iniciado, qualquer parte pode cancelar este contrato mediante aviso por escrito, com [devolução/retenção] do valor já pago, conforme: [defina a regra, ex.: "sinal não é devolvido em caso de cancelamento pelo CONTRATANTE" ou "serviço não iniciado gera devolução integral"].

              7. FORO
              Fica eleito o foro da comarca de [cidade/UF] para dirimir eventuais dúvidas ou litígios decorrentes deste contrato.

              [Cidade], [data].

              _______________________________
              CONTRATANTE

              _______________________________
              CONTRATADO(A)
              

Como adaptar esse modelo ao seu caso

  • Se o valor é alto ou o serviço é complexo: detalhe bem o item 1 (objeto). Uma descrição vaga como "criação de site" gera disputa sobre o que estava incluído. Prefira: "criação de site institucional com até 5 páginas, sem incluir hospedagem ou domínio".
  • Se você é MEI: inclua seu CNPJ no campo do contratado, além do CPF. Isso ajuda a formalizar a natureza empresarial da prestação, ainda que o contrato em si continue regido pelo Código Civil.
  • Se o cliente pede exclusividade ou horário fixo: cuidado. Mesmo em um trabalho avulso, se o contratante exige que você cumpra horário, use crachá ou siga ordens diretas de subordinação, isso pode caracterizar vínculo de emprego na prática, independente do que está escrito no papel. O contrato ajuda, mas não blinda contra tudo.
  • Se já passou o prazo de entrega combinado: o contrato não vira automaticamente inválido. O que muda é que a parte atrasada pode responder por inadimplemento (art. 607), então vale registrar por escrito (e-mail, mensagem) o motivo do atraso e o novo prazo acordado, para não depender só da memória de cada um.

O que NÃO fazer

  • Não deixe de colocar valor e forma de pagamento por escrito. É a cláusula que mais gera dor de cabeça quando falta — "vou te pagar depois que o cliente me pagar" não é forma de pagamento, é promessa vaga.
  • Não use um contrato de prestação de serviço continuado para um trabalho único. Cláusulas de renovação automática ou aviso prévio de 30 dias não fazem sentido para quem vai entregar o serviço uma vez só, e podem confundir as partes sobre quando o vínculo realmente termina.
  • Não assine sem definir o critério de "serviço concluído". Se não está claro o que conta como entrega, o contratante pode alegar que o trabalho não terminou mesmo depois de você entregar o arquivo, cobrando ajustes indefinidamente.
  • Não confie só na palavra sobre tributos. As regras de retenção de INSS e IRRF sobre pagamento a autônomo variam conforme o caso, e não vamos afirmar aqui um percentual fixo — confirme a situação específica antes de fechar o valor final, para não ter surpresa no que efetivamente cai na conta.

Ferramenta pronta para gerar seu contrato

Se seu caso for de prestação de serviço em geral — não necessariamente avulso — o DocsPronto já tem um gerador de contrato de prestação de serviços por R$ 9,90, que entrega o documento em Word editável e PDF sem selo. Você pode usá-lo como base e adaptar as cláusulas de prazo e cancelamento para o formato de trabalho único, seguindo as dicas acima.

Depois de concluir o serviço e receber o pagamento, vale também formalizar o recibo de pagamento (R$ 5,90) — é a prova de que o valor foi efetivamente recebido, complementando o contrato.

Se procurar algo específico que ainda não existe entre essas duas opções, veja a lista completa em /ferramentas/.

Perguntas frequentes

Preciso de testemunhas para o contrato de serviço avulso valer?

Não é uma exigência para o contrato ter validade entre as partes. Testemunhas ou assinatura reconhecida em cartório podem ajudar como prova adicional em caso de disputa, mas o contrato particular assinado pelas duas partes já produz efeito jurídico.

Contrato avulso precisa ser registrado em cartório?

Não é necessário registrar em cartório para o contrato valer entre contratante e contratado. O registro pode ser útil se você quiser dar publicidade ao documento frente a terceiros, mas não é um requisito legal para a validade da prestação de serviço em si.

Posso fazer um contrato avulso por WhatsApp ou e-mail, sem assinatura física?

Sim, um acordo por escrito trocado por e-mail ou mensagem já serve como prova do que foi combinado. O ideal é ter um documento único, assinado (mesmo que digitalmente), porque fica mais organizado e reduz a chance de mal-entendido sobre qual foi a versão final combinada.

O que acontece se o cliente não pagar depois do serviço entregue?

Isso configura inadimplemento, uma das hipóteses de encerramento do contrato previstas no art. 607 do Código Civil. Ter o contrato assinado, com valor e prazo de pagamento claros, é o que te dá uma base concreta para cobrar o valor devido, inclusive judicialmente se for necessário.

Um trabalho avulso pode virar vínculo de emprego se eu continuar prestando serviço para o mesmo cliente?

Só o fato de repetir o serviço para o mesmo cliente não cria vínculo de emprego automaticamente — o art. 442-B da CLT diz que a contratação formal do autônomo, mesmo contínua, não gera vínculo. O que pesa nessa análise são outros fatores, como subordinação, horário fixo e exclusividade. Se notar esses elementos aparecendo, vale revisar como o serviço está sendo prestado.