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Contratos

Contrato de prestação de serviços por prazo determinado ou indeterminado: qual escolher

Neste artigo

A resposta curta: use prazo determinado quando o serviço tem início, meio e fim definidos (um projeto, uma obra, uma entrega específica). Use prazo indeterminado quando a prestação é contínua, sem data para acabar — como uma consultoria mensal ou um suporte recorrente.

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A diferença não é só de redação. Ela muda o que acontece se alguém quiser encerrar o contrato antes da hora, quanto tempo dá para avisar a outra parte e até quanto tempo o contrato pode durar por lei. É isso que este artigo explica, com base no Código Civil.

Prazo determinado x prazo indeterminado: a diferença na prática

Prazo determinado Prazo indeterminado
Quando usar Projeto com entrega definida (site, obra, evento, consultoria pontual) Serviço contínuo, sem data de término (manutenção mensal, suporte recorrente)
Duração máxima Até 4 anos, por lei Sem limite — dura enquanto nenhuma parte encerrar
Como termina Na data ou na entrega combinada Por aviso prévio de qualquer uma das partes
Aviso prévio para encerrar antes Não previsto por lei — depende de multa/cláusula no contrato 8 dias, quando o pagamento é mensal ou por período maior
Risco de sair antes sem justa causa Perde valores a receber e pode responder por perdas e danos Basta cumprir o aviso prévio

A base legal para o prazo máximo e o aviso prévio está nos artigos 598 e 599 a 601 do Código Civil, que tratam do contrato de prestação de serviço.

Contrato por prazo determinado

O limite é de 4 anos, mesmo em casos específicos

O Código Civil é direto: "a prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de quatro anos, embora o contrato tenha por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à execução de certa e determinada obra" (art. 598).

Na prática, isso significa que mesmo um contrato "por obra determinada" — por exemplo, a construção de um site ou a reforma de um imóvel — não pode ultrapassar 4 anos, mesmo se a obra ainda não tiver sido concluída no papel. Se o serviço tende a durar mais que isso, o contrato por prazo determinado não é a ferramenta certa.

O prestador não pode sair antes sem justa causa

Se você é o prestador e assinou um contrato por tempo certo ou por obra determinada, a lei diz que você "não se pode ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo, ou concluída a obra" (art. 602).

Se mesmo assim você sair sem justa causa, tem direito ao que já venceu (o que já foi trabalhado e ainda não foi pago), mas responde por perdas e danos — ou seja, pode ter que indenizar o contratante pelo prejuízo causado pela saída antecipada.

Se o contratante dispensar antes do prazo, paga metade do que faltava

O inverso também é regulado. Se o contratante encerra o contrato antes do prazo sem justa causa, ele deve pagar os valores já vencidos mais a metade do que seria devido até o fim do prazo combinado (art. 602, comentado).

Exemplo resolvido: um contrato de consultoria por prazo determinado de 6 meses, R$ 3.000/mês, é encerrado pelo contratante no início do 3º mês, sem justa causa. Os 2 meses já trabalhados (R$ 6.000) são devidos normalmente. Dos 4 meses restantes (R$ 12.000), o contratante ainda deve metade: R$ 6.000. Total a pagar na rescisão: R$ 12.000.

Isso não é uma multa arbitrária — é a regra padrão do Código Civil quando o contrato não traz uma cláusula própria de rescisão. Se as partes quiserem outro percentual ou outra regra, precisam escrever isso no contrato.

Contrato por prazo indeterminado

Quando o contrato não tem data de fim, a lei prevê uma saída mais simples: aviso prévio. Qualquer uma das partes pode encerrar o contrato, mas precisa avisar a outra com antecedência de 8 dias, quando o pagamento é fixado por mês ou por período maior (art. 599, comentado).

Não há a multa de "metade do valor restante" que existe no prazo determinado, porque não existe um "restante" a calcular — o contrato pode ter durado 3 meses ou 3 anos, o que importa é cumprir o aviso.

Exemplo resolvido: um freelancer presta suporte técnico mensal para uma empresa, sem data de término, por R$ 1.500/mês. A empresa decide encerrar o contrato. Ela avisa o freelancer com 8 dias de antecedência, paga o que já venceu e o contrato termina — sem multa adicional prevista em lei.

Cuidado com o escopo não especificado

Um detalhe que passa despercebido: se o contrato não especifica exatamente qual serviço será prestado, a lei entende que o prestador se obrigou a "todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições" (art. 594, comentado). Isso é um problema em contratos de prazo indeterminado, porque pode abrir margem para o contratante pedir tarefas fora do combinado. Descreva o serviço com o máximo de detalhe possível, mesmo sem data de fim.

Qual escolher: guia rápido para MEI e freelancer

Situação Prazo recomendado
Projeto único (site, logo, evento, obra) Determinado, com a data de entrega
Cliente recorrente sem fim à vista (social media mensal, contabilidade) Indeterminado
Serviço que pode se estender além de 4 anos Indeterminado (o determinado tem teto legal)
Cliente novo, primeira contratação Determinado — mais fácil renovar ou não renovar depois de ver como foi o trabalho
Quer previsibilidade de receita mensal Indeterminado, com aviso prévio combinado por escrito

Não existe uma recomendação oficial de órgão como Sebrae ou Receita Federal indicando um formato específico para MEI — a escolha depende da natureza do serviço, não do regime tributário do prestador.

O que não fazer

  • Não deixe o contrato sem prazo nenhum e sem cláusula de rescisão. Sem isso, vale a regra padrão do Código Civil — que pode não ser a que você esperava (metade do valor restante no determinado, 8 dias de aviso no indeterminado).
  • Não use "prazo determinado" para um serviço que pode passar de 4 anos. O contrato perde a proteção do prazo se ultrapassar o teto legal.
  • Não deixe o escopo vago em contrato de prazo indeterminado. Sem descrição clara, a lei presume que o prestador aceitou qualquer serviço compatível com suas condições — o que pode ser usado contra você.
  • Não confunda aviso prévio com multa. No prazo indeterminado, cumprir os 8 dias de aviso é o suficiente; não há previsão legal de multa adicional, salvo se o contrato criar uma cláusula específica.

Como formalizar

O Código Civil dá as regras padrão, mas o contrato escrito é o que evita dúvida sobre qual prazo vale, qual o valor da multa e como avisar a outra parte. No DocsPronto você monta um contrato de prestação de serviços informando prazo, valor e forma de pagamento — o gerador de contrato de prestação de serviços sai em PDF grátis com selo, ou em Word editável e PDF sem selo por R$ 9,90 via Pix, sem cadastro.

Depois de prestado o serviço, formalize o pagamento com o gerador de recibo de pagamento (R$ 5,90) — importante tanto no contrato por prazo determinado, na entrega final, quanto no indeterminado, a cada pagamento mensal.

Perguntas frequentes

Posso renovar um contrato por prazo determinado quando ele acabar?

Sim. Ao final do prazo, se as duas partes quiserem continuar, é possível assinar um novo contrato ou um aditivo de renovação. A lei não impede a renovação — o limite de 4 anos vale para cada contrato firmado, não como um teto acumulado impedindo qualquer relação mais longa entre as partes.

E se eu não colocar prazo nenhum no contrato, o que vale?

Se o contrato não menciona data de término, ele é considerado por prazo indeterminado, e a regra do aviso prévio de 8 dias (para pagamento mensal) se aplica. Melhor deixar isso explícito no papel para não depender de interpretação.

O aviso prévio de 8 dias vale também para contrato por semana ou por dia?

O artigo que trata do aviso prévio de 8 dias menciona especificamente pagamento fixado por mês ou período maior. Para prazos de pagamento mais curtos, o contrato deve prever a regra de aviso — não deixe isso em aberto se o pagamento for semanal ou diário.

Posso colocar uma multa diferente da "metade do valor restante" no contrato por prazo determinado?

Sim. A regra da metade do valor é o que vale quando o contrato não traz cláusula própria de rescisão. Se as partes concordam com outro valor ou outro critério, isso deve estar escrito no contrato — e passa a valer no lugar da regra padrão.

Contrato verbal por prazo determinado tem a mesma proteção que um contrato escrito?

As regras do Código Civil valem para o contrato de prestação de serviço independente da forma, mas provar prazo, valor e condições combinadas verbalmente é muito mais difícil em caso de divergência. O contrato escrito existe justamente para evitar essa disputa.